(PT) O novo número da revista PLAV é dedicado a autoras brasileiras

O número de abril da revista literária PLAV abre aos leitores checos as portas da poesia feminina  contemporânea, apresentando autoras oriundas, muitas vezes, de regiões pouco conhecidas e geograficamente distantes do Brasil.

12 mai 2026 Iva Svobodová

Capa da revista PLAV (4/2026)

A conceção deste número foi preparada por Barbora Svobodová  (Universidades Carolina e Palacký) em colaboração com Priscila Branco, poetisa e investigadora brasileira. Juntas selecionaram uma antologia representativa de textos de destacadas vozes poéticas contemporâneas, cuja produção articula a dimensão íntima da experiência humana com a reflexão sobre questões sociais.O novo número recebe, assim, o título Piranhas e vaga-lumes (t.n.; título da revista:  Piraně a světlušky).  Um papel igualmente importante neste projeto foi desempenhado pelas tradutoras, algumas das quais integram a comunidade científica da nossa Cátedra. As suas traduções distinguem-se não apenas pela elevada qualidade literária, mas também pela sensibilidade perante as nuances culturais e emocionais de cada texto.

Os poemas reunidos abordam tanto experiências pessoais como coletivas, tocando temas como a solidão, o racismo, a solidariedade entre parceiros, bem como a vulnerabilidade, a memória e a própria força da linguagem. Para além de diferentes realidades culturais, recordam igualmente que a poesia pode funcionar como um espaço de proximidade entre mundos distantes. Apesar das diferenças culturais e históricas, revela-se aqui como um meio universal de partilha de experiências, emoções e mundos interiores, capaz de ultrapassar fronteiras linguísticas, continentais e sociais.

A publicação abre com um ensaio de Priscila Branco e com uma entrevista à poetisa Adélia Prado, intitulada A poesia salva-nos da tristeza (t.n. do título checo Poezie nás zachraňuje před smutkem), conduzida por Šárka Grauová. Graças à diversidade das perguntas colocadas, o leitor conhece diferentes fases da criação literária desta autora nonagenária de Divinópolis, bem como as suas reflexões sobre  religião e feminilidade, entre outros. Segue-se uma seleção de poemas de autoras brasileiras contemporâneas traduzidos por lusitanistas e uma hispanista checas. O primeiro texto, De tempo e traça meu vestido me guarda (tradução de Vlasta Dufková), estabelece continuidade com o diálogo anteriormente referido. O número inclui ainda os seguintes títulos: É primavera no Brasil e eu sonho (Aline Cardoso, tradução de Anna Tietzová), A palavra às vezes me flauta (Ana Elisa Ribeiro, tradução de Kateřina Ritterová), Vi morrer uma pedra (Ana Martins Marques, tradução de Pavla Korpaczewski), Breve ato de descascar laranjas (Bianca Monteiro Garcia, tradução de Martina Kutková), Casa que trago dentro de mim (Heleine Fernandes, tradução de Karolina Válová), A minha alma enegrece a terra (Lívia Natália, tradução de Zuzana Burianová), Alma do mundo translúcida como a fonte (Maria de Lourdes Hortas, tradução de Lucie Koryntová), Vou continuar roçando o fogo (Milena Martins Moura, tradução de Lada Weissová) e Procuro as minhas ausências (Thainá Carvalho, tradução de Kateřina Ritterová).

Este número temático representa não apenas um extraordinário projeto literário, mas também um valioso contributo para um conhecimento mais profundo da cultura brasileira contemporânea e da poesia feminina. Para além da participação ativa das  membras da Cátedra,  contribuimos igualmente para o financiamento da publicação.

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